segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"Quem é esse?"

Durante um culto numa igreja, dois amigos avistaram um rapaz um tanto familiar que ali orava. Desconfiado, um perguntou ao outro:

- Quem é esse homem que eu ainda não tinha visto aqui dentro?

- Este, - afirmou o outro - é um bandido que tenta agora dar um de religioso arrependido! Infelizmente toda igreja possui seus maus exemplos...

Dois outros colegas de fé conversavam... até um deles fazer a mesma indagação intrigante:

- Acho que eu conheço essa pessoa aí! Quem é esse jovem mesmo?

- Este, - afirmou o outro - é um sujeito exemplar: Um rapaz cheio de dificuldades, mas que agora está se redimindo como ninguém que eu já tenha conhecido em toda minha vida! Glória a Deus! Aleluia!

Reflexão: O ser humano de primeira classe não é aquele que reconhece o pecado conhecendo a virtude, mas o que prefere "relevar" ao invés de "revelar". Em casos censuráveis porém, nos quais a credulidade e a transigência apenas sufocariam a liberdade e o respeito, em sua ação providencial jamais omitida, há de considerar a culpa pelo bom senso, buscando sempre o bem que venha a atenuar o mal, repreendido com serventia. Em todas ocasiões, agradáveis ou não, tenta ressaltar o que possa encontrar de melhor no outro. Portanto, pense muito bem no que você responderá quando te perguntarem: "Quem é esse?"

''O teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu olho for simples, todo o teu corpo será luminoso. Mas se o teu olho for mau todo o teu corpo estará em trevas. Se pois a luz que em ti há são trevas, quão grandes não serão essas mesmas trevas!" (Mateus 6; 22-23).

''Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examine a ti mesmo''. (Confúcio).

O Lobo e a Raposa.

Em meio à escuridão da mata, um luar bem vívido guia uma raposa oportunista a aterrorizar um galinheiro. Antes porém de fazer qualquer vítima, um lobo feroz morde sua pata, insultando-a:

- Desgraçada! Jamais se atreva a comer minhas galinhas, ouviu?!
- Se não devo comer no galinheiro, onde devo comer? - Implorou a raposa.
- Se vira! Vá caçar ratos, sua raposa nojenta!
- Lobo, como irei caçar ratos se você acaba de ferir minha pata traseira?
- Isso é problema seu! Quem mandou invadir meu galinheiro?
- O senhor lobo nunca permite que eu coma sequer uma dessas galinhas. Só estou viva porque me alimento de ratos.

O lobo cruel, despreocupado com o dia de amanhã, soltou a gargalhada:

- Coitada de você, pobre raposinha!!!

E assim, sempre que a raposa ia invadindo o velho galinheiro, o lobo novamente lhe quebrava uma pata... Até que um dia a enfraquecida raposa ficou totalmente impossibilitada de caçar, inclusive ratos. Faminta, ela morreu. Aquele lobo irracional não imaginou que a morte de uma pequena raposa bastasse para multiplicar toda uma população de ratos, extasiados pela ausência da predadora. Progressivamente, o milho que antes era das galinhas passava a ser consumido por novos ratos saqueadores. Logo, todas elas viriam um dia a também morrer de fome. O lobo devorador de galinhas gordas já não tinha mais o que comer, a não ser ratos imundos...

Reflexão: Ninguém é mais forte que ninguém o suficiente para abusar de suas forças sem responder por hoje no dia de amanhã. Todos somos indispensáveis na ecologia da vida, pois nos complementamos universalmente, cada um com o seu diferencial. Não desprezemos a importância de nenhum ser no papel da natureza, seja ele humano, animal, vegetal ou mineral.

''Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final''. (São Francisco de Assis).

O Rato, o Gato e o Cachorro.

O cachorro perseguia o gato... No instante do ataque porém, o rato morde o cão por trás, e o gato foge sem se ferir. Mais tarde, o gato encontra o rato que o livrou daquela ocasião de perigo, e lhe pergunta:

- Por que você me salvou naquele dia, mesmo sabendo que sou caçador de ratos?

O misericordioso rato respondeu:

- Devemos fazer o bem àqueles que nos fazem o mal.

Dias depois, aquele cachorro que houvera atacado o gatinho foi visto com fome. Então, o gato lhe deu metade de sua ração, dizendo:

- Somos amigos, jamais inimigos!

Um cão totalmente agressivo passa a sentir-se tocado por um profundo arrependimento. Logo, à partir deste momento, rato, gato e cachorro tornaram-se amigos inseparáveis!

Moral da História: Amando os nossos inimigos transformamos o mundo!

''... amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem'' (O Evangelho Segundo São Mateus, Capítulo 5, Versículo 44).

''Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber''. (Epístola aos Romanos, Capítulo 12, Versículo 20).

''Com o bom sou bom, mas mesmo com quem não é bom sou bom, pois boa é a virtude''. (Lao-Tsé).

O Cavalo Amarrado.

Num sítio de animais felizes, um cavalo via-se preso a uma árvore. Gozava-se do direito de ir e vir, exceto tal infeliz cavalo. Certo dia, uma águia o vendo naquela situação, perguntou a um urubu que por ali vagava:

- Por que, meu amigo urubu, que a tanto tempo este cavalo permanece amarrado dia e noite, sem nenhum direito a passeio?

- Eu também acho isso um absurdo! - desabafou o furioso urubu.

Ora, um falcão, que também percorria aqueles ares, ficou igualmente intrigado, e indagou à águia e ao urubu quem prendera o coitado do cavalo. Eles então lhe responderam:

- Não sabemos quem é o autor desta crueldade!

- Pobre cavalinho! - lamentava o falcão.

Todavia, enquanto as três aves de grande porte se escandalizavam daquela situação em que o cavalo se encontrava, surge então uma pomba perguntando ao animal:

- Vamos, senhor cavalo, juntos, fazer um esforço para se libertar desta corda?

Vamos! - respondeu entusiasmado o cavalo. - Logo, aquela simples ave, de bico pequeno e fraco, começou a desfiar a corda presa à árvore, com toda a sua força. Ao notar não ser forte o suficiente, chamou outras pombas para ajudá-la. Assim, com o auxílio das demais pombas bicando a corda, ela ficou fraca o bastante para o próprio cavalo, valendo-se de todo o seu vigor, arrebentá-la, para, definitivamente, livrar-se do humilhante cativeiro, na presença da águia, do urubu e do falcão...

Moral da História: Cômodo, é praguejar contra a vida ou contra a infelicidade alheia. Desafiador porém, é contribuir para a felicidade do próximo, pois qualquer um pode apontar defeitos e fazer queixas de seus semelhantes. Por outro lado, nem sempre enxergamos a dor do outro, considerando que todos nós, recorrentemente, necessitamos de empatia, solidariedade e assistência.

''Seja você a mudança que gostaria de ver no mundo''. (Mahatma Gandhi).

''Aquele que sabe não fala; aquele que fala não sabe''. (Lao-Tsé).

O lagarto e o ovo de avestruz.

Num dia de bastante "sorte", um lagarto faminto encontra um solitário ovo de avestruz. Antes de atacá-lo, no entanto, ele reflete:

- Seria justo comer este único ovo que sobrou do avestruz?

Contudo, a gula e a cobiça fizeram-lhe raciocinar do seguinte modo:

- Ainda que eu não coma este imenso ovo, surgirá um outro lagarto para devorá-lo antes de mim, assim como devem ter feito com o segundo ovo, o qual aqui já não mais se encontra - desculpara-se o lagarto da mesmíssima maneira que um outro lagarto que o havia antecedido o fizera, diante do segundo ovo...

Julgando então merecer o irresistível ovo de avestruz, aquele lagarto voraz não tardou em abocanhá-lo. Entretanto, abruptamente, a furiosa mãe avestruz retorna, pisoteando-o até a morte!

Moral da História: O caos da humanidade advém do pecado do outro???

''Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem''. (Confúcio).

Proclamando um Macaco.

No reino dos macacos debatia-se sobre uma crescente inquietação: como cuidar de tantos filhotes? Três lideranças foram convocadas para propor medidas àquele embaraço. O primeiro macaco sugeriu:

"para a segurança dos filhotes será preciso limitar o número de descendentes de cada família."

Logo depois, o segundo líder argumentou:

"macacos mais velhos devem ajudar todas as mães a cuidar de seus filhos enquanto os mais jovens procuram alimento para o bando."

Por último, o terceiro representante confessou não saber o que recomendar para o bem comum, contudo disponibilizou-se a auxiliar qualquer pai ou mãe no cuidado das crianças. Embora tal ideia fosse simples e pouco elaborada monstrou-se inovadora ao despertar o espírito coletivo na sociedade. O que era apenas um membro atencioso e respeitado foi proclamado "Rei", pela honra de popularizar a majestade do verbo Servir!

Moral da História: O Evangelho Segundo São Marcos Capítulo 10, Versículos 42 e 43 - ''Jesus os chamou e disse: Sabeis que aqueles que são considerados governantes das nações, as dominam. E as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Contudo, não é assim que ocorre entre vós. Ao contrário, quem desejar ser grande entre vós deverá ser servo; e quem ambicionar ser o primeiro entre vós que se dispunha a ser escravo de todos''.

''A grandeza do amor repousa invariavelmente na conjunção do verbo servir''. (Emmanuel).

''O sábio não se exibe e é notado, renuncia a si mesmo e jamais é esquecido''. (Lao-Tsé).

Os Sapos e o Jacaré.

Um sapo audacioso pretendia ser o foco das atenções. De peito estufado e possuído de arrogância, bradou aos demais sapos:

- Duvidam que eu consiga, num único salto, atravessar a lagoa passando pelo jacaré?

Sem ouvir qualquer resposta, ele saltou e caiu frente às mandíbulas do jacaré. Antes porém de ser devorado, um outro sapo ali presente gritou:

- Você, jacaré, é muito grande para alimentar-se de uma espécie tão pequena e irrelevante como a nossa!

Ouvindo isto, o jacaré, enaltecido, desistiu de matar o sapo tolo, o qual teve sorte dessa vez, contudo ficou para sempre taxado de louco e ridículo. Já o outro sapo, inteligente e solidário, rebaixando a própria espécie perante o jacaré, eternizou-se como um grande herói.

''Todo aquele que a si mesmo exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo humilhar será exaltado'' - (Jesus de Nazaré).

A Formiga e os Cupins.

Uma formiga operária trabalhava pelo campo, até se deparar com um grupo de cupins transitando pelo céu. Imaginando serem formigas voadoras, descontente, arrazoou em seu coração:

- Se elas podem voar, por que eu não posso?

E prosseguindo, sentiu a presença de um enorme cupinzeiro tomar o controle de seu coração atrevido e leviano. Como se fosse oportunista, ela logo se entusiasma:

- Que ideia genial! Entrarei aqui neste gigantesco formigueiro, e então as formigas voadoras me ensinarão a voar! Caso contrário, de lá eu não saio!

Então ela entrou no imenso cupinzeiro na certeza de ser o lar das "formigas voadoras". Todavia, quando os cupins defrontaram-se com uma formiga invadindo sua moradia, julgaram tratar-se de uma presença ameaçadora, e portanto, a atacaram até a morte!

Moral da História: A ambição atrai o pensamento, fascina o ego, emudece a razão e desgoverna a alma!

O Peixe e a Tartaruga.

Um peixe ingênuo pergunta a uma tartaruga esperta e oportunista:

- Tartaruga, sabe onde eu posso encontrar um lugar para comer? Preciso me alimentar porque dei a minha janta para um outro peixe ainda mais faminto. Gosto muito de ajudar a quem precisa, sempre fui solidário.

- É verdade, peixe? - disse a tartaruga maldosa - Seja novamente solidário entrando já em minha barriga, e ainda encontre comida de sobra para você!

Moral da História: Quem exibe a própria virtude não a possui de fato. A tola vaidade faz de um peixe veloz e perspicaz alvo fácil para uma tartaruga cruel.

'' ...que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo... ". (Mateus 6:3-4).

A Serpempomba.

Um coiote espreitava uma cria de lebres abandonadas. De repente, para a salvação delas, um improvável socorro se aproxima celeremente: Eis a criatura mais sinistra e misteriosa já vista! Comprida e peçonhenta, parecia uma serpente, porém, voadora e com um par de patas, assemelhava-se a uma pomba. Tal inestimável criatura acolheu, com suas belas e imensas asas brancas, as pobres lebres e, antes que o coiote as atacasse, ela, a Serpempomba, o afastou, num arriscado e perigoso ato de proteção e de misericórdia, preservando então as pobres lebres...

Moral da História: bem aventurado o indivíduo capaz de reunir os atributos da Serpempomba, associando a placabilidade, a mansidão e a paz de uma humilde pomba branca, com a sensatez, coragem e rigor de uma inabalável serpente venenosa!

''Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas'' (Mateus 10:16).