sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Nem tão longe, nem tão perto da fogueira...

Em meio ao frio acendeste uma fogueira
Aliviando a tristeza e a dor
Em minha consciência agirei desta maneira
Quando não houver calor

É que a vida impõem embaraços
Resfriando o nosso vigor
Para que a luz volte a guiar nossos passos
Será necessário muito amor

Os calafrios vão nos esmorecendo
Mas me ensinaste a acender uma fogueira
Então tudo vai aquecendo...
Ao recanto da madeira!

... Até ficar efervescente
Quente, até demais!
Devo agir comedidamente
A fim de que os extremos não ardam ainda mais

Aflitos, acendemos a chama dos pensamentos
Buscando solucionar os medos e desafios cotidianos
Nada de errado nesses momentos
O quão nos aproximamos da fogueira dos sacrifícios mundanos
É o que pode enredar precipitados temperamentos

Temperança e equilíbrio nessa hora!
Se eu muito me aproximo, queimo-me
Se eu muito me distancio, resfrio-me

Não quero me queimar por apreensão 
Também não quero sentir o frio da indolência
Nem tão perto da fogueira da preocupação
Nem tão longe da fogueira da negligência

Não temerei o fogo carbonizante
Nem o frio congelante
Ao nos enfastiarmos até dispor de uma brasa acesa sob suor escaldante
Deus suavemente destina uma brisa dulcificante
De sua luz poderosa e cintilante

Queridos, dedico a todos o meu ardor
Neste acalento despretensioso e fraterno
Pois o pungente fogo da vida é também claridade e esplendor
Amigo meu, façamos dessa experiência um consolo eterno!

Os Gorilas e o Chimpanzé.

Um chimpanzé havia espancado um filhote de gorila, e seu pai o reconfortava em suas feridas, enquanto o tio, irado, surrou o chimpanzé agressivo. Ironicamente, pouco tempo depois, o mesmo tio que defendera o sobrinho foi visto dando-lhe uma humilhante sequência de tapas, sem racional motivação. Quando o pai o flagrou, não acreditou, porém, sensato, no lugar de revidar, relatou o ocorrido a toda família, a qual imediatamente o expulsou para longe da selva.

Moral da História: Existe a verdadeira e a falsa compaixão: a verdadeira conforta a vítima, enquanto a falsa vinga-se do algoz.
 
"Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!" - João 8:7

"Não é forte quem derruba os outros; forte é quem domina a sua ira" - Maomé.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ar x Trovão.

A humanidade anda desacreditada
Dizem que o mal manda no bem
Trovão imponente, alma abalada
Porém não vês o ar que te mantém

Sinta a natureza, meu irmão desapontado
O trovão é o mal explícito, contudo ocasional
O ar é o bem presente, suavemente notado
Quem vence: Ar do bem ou Trovão do mal?

Você já se espantou com um trovão?
Tem em memória o susto e o pavor?
No entanto se lembra do ar em seu pulmão?
Lembra do ar que respirou em pleno vigor?

Do mal só se recorda, pois ocorre diante de nós
O bem apenas se sente, pois está dentro de nós
O mal se apega ao exterior, reage e sobrevive
O bem se atém ao interior, age e em paz vive...

O ar age despretensiosamente bem
Jamais como o ostensivo trovão
O qual não sendo útil a ninguém
Se faz perceber, soberbo pavão

Entre sombras e penumbras o amor aquece
Sobre montes insuperáveis o dia amanhece
O bramido das nuvens dá fôlego a novos ares
Inunda as planícies e abastece os vales

O "ar" é tão puro quanto caótico o mau tempo
Abalos esculpem a alma refinando o sentimento
Trovoadas lá fora despertam a lareira de dentro

O medo divulga o mal e o mal divulga o medo
Contém os bons e os governa em segredo
Mas depois autodestrói-se em disputas de poder
Pois só o bem acolhe sem distinção qualquer ser

O combustível da maldade inflama sem calor
Não tem eficácia, só paixão, delírio e ardor
O trovão alarma e logo cai no esquecimento 
O ar permanece ativo em forma de vento...

"Uma semente cresce sem som, mas uma árvore cai com um ruído enorme. A destruição tem ruído, mas a criação é silenciosa." (Confúcio).

domingo, 20 de dezembro de 2015

Nossos queridos pertencerão às constelações!

Meu amigo, fique comigo
Não morra agora
Será que eu consigo?
Ainda não é a sua hora!

Deus Pai, nosso Senhor!
Ajudai-me a superar esse sofrimento
Tu disseste-me que essa dor
Se converterá em estrela no firmamento.

Morto, cujo brilho vive, mesmo muito afastado
Seu Sol ainda se faz radiante em meio à solidão
O fulgor de uma estrela distante é mais vislumbrado
Quando estamos ermos e cercados pela escuridão.

Precisamos das trevas para reconhecermos a luz
O espírito adormece com o sol, desperta no luar
O crepúsculo nos quer gratos e dispostos a amar.

Quando tudo é claridade a manhã aquece a pele
Quando tudo é sombra a noite alvorece o coração
E quando tudo é luto eu sofro em resignação...
 
Nossos queridos pertencerão às constelações!
Como nós mesmos, um dia
Nos reencontraremos no plano das consolações
Se eu meditasse sempre nisso melhor viveria.

Não me escandalizaria, nem me entorpeceria em vão
Pois o consolo só é destinado
Aos conhecedores da palavra renovação
Felizes os que choram suportando o fardo... Gratidão!

"Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crê em mim, ainda que morto, viverá!" (Jesus de Nazaré).

"Tudo passa e tudo se renova na Terra, mas o que vem do céu permanecerá". (Meimei).

O Rato Ingrato.

Havia um pacto entre um rato e uma colônia de formigas: ele fornecia mantimentos ao formigueiro enquanto os pequenos insetos atacavam suas pulgas. Contudo, aos poucos, o roedor foi se esquivando do acordo e deixando de lado o compromisso, fato que despertou entre as formigas um sentimento de revolta o qual as levou a insultar aquele a quem chamavam de "ingrato".

A soberana rainha da colônia, modelo de justiça e fraternidade, pedia tolerância, mantendo o dever de eliminar cada pulga do rato ingrato. A obediência foi imediata, o que reforçou o descaso e a postura egoísta daquele bicho sem vergonha. O tempo passava, e nada de consideração ou agradecimento, ao contrário, ficava com todo o alimento adquirido confiante no perdão gratuito e na beneficência irrestrita.

As operárias perdiam a paciência questionando a matriarca e sua fraqueza moral, relutante em cuidar dos imundos pelos do rato ingrato, a remover ela mesma pulga por pulga sem sequer censurá-lo. Diante de tanta transigência, o animal inexcrupuloso e desleal, após tanto tempo engendrando o caos entre as persistentes cassadoras de parasitas, foi tocado por um genuíno arrependimento que o conduziu à redenção: pediu perdão e passou a compartilhar honestamente com suas credoras tudo o que conseguia para comer, fosse o que fosse...

Reflexão: Benefícios pagos com a ingratidão atestam a coerência ou o disparate da mão encarregada de ajudar, a qual recebe do mau sofredor sua cota de desafio e provação, podendo tanto abrandar um coração endurecido através do amor incondicional quanto tomar do cálice da inclemência ao partilhar com o ingrato todas as angústias que a revolta e o orgulho podem produzir.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A zebra e os cães selvagens.

Pela savana noturna, zebras seguiam atentas às ameaças. Ao avistarem uma cria de cães selvagens largada à própria sorte, fugiram assustadas no temor da possível presença de cães adultos, exceto um atípico membro da manada. Deslocado do grupo, como "bom samaritano", refletiu:

- O que fazer ante o frio que assola estes pobres cãezinhos? Talvez eu possa providenciar um bom agasalho...

E lá foi com sua compaixão em busca de peles de animais mortos, trocando alimentos por mão-de-obra de aves costureiras. Mais tarde, pronto o cobertor, a zebra saltou entusiasmada, e enfim pôde livrar os pequenos caninos.

Reflexão: O medo ainda sobrepuja largamente o amor na atormentada savana da Terra, porventura numa escala de até cem por um. Em noites de inverno moral, todavia, reluz a chama da caridade contagiante: Fogo que aquece e clareia sem sequer sentir o esplendor de si, cujo concurso exemplar parece irrisório ante o frio do egoísmo que assola a humanidade. Uma centelha de compaixão pode abrasar multidões sequiosas do ensino sagrado: "bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos." O iluminado carpinteiro da Galileia, do alto do monte, declarou em seguida: "brilhe também a vossa luz." Isso significa que qualquer de nós, desde que tenha olhos de ver e mãos de ajudar, é capaz de refletir o Cristo sobre as névoas da indiferença, e acender a candeia da consciência no velador dos aflitos, para que possam, em si mesmos, divisar a luz do mundo...

domingo, 2 de agosto de 2015

Os Esquilos e os Coelhos.

A coelhada comia ervas e cereais perto de esquilos que atacavam seus estoques sempre que podiam. Não eram todos igualmente desonestos, pois havia um que, vendo seus companheiros fartando-se do que não lhes pertenciam, interrogou-se:

- Seria justo participar deste ilegítimo banquete?

A gula, porém, o levou a ponderar: 

- Estamos bem longe dos coelhos para devolver-lhes toda essa comida... bem, desperdício é um insulto à natureza. Caso estivessem aqui nosso dever seria restituir cada alimento furtado. Comerei destes frutos só por ser improvável devolvê-los agora à noite, até porque não fui eu quem os subtraiu. Aqueles meus amigos que os saquearam são os reais culpados, enquanto eu apenas evito desperdícios.

- Não se preocupe, esquilo, estás no lugar certo! Você é muito bom! Por isso estou aqui para lhe devorar! - exclamou a coruja faminta.

Moral da História: Aquele que é deliberadamente beneficiado por uma transgressão, ainda sem participação ativa, também é transgressor.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

As Nuvens Desafeiçoadas.

No reino das nuvens ocorria uma persistente contenda causada pela desigualdade de água entre as massas de ar que transitavam pelo céu. Atiravam-se umas nas outras com o fim de possuir a umidade alheia, o que resultava em constantes pancadas de chuva. Em nome da paz, o todo poderoso Sol, rei do Céu e da Terra, aproxima-se advertindo as nuvens desafeiçoadas:

- Queridas nuvens terrenas, para acessar as regiões mais elevadas da atmosfera é preciso despojar-se do excesso de umidade, liberando com desapego parte das gotículas que obsecadamente carregais em vossas almas demasiadamente densas. Toda nuvem tomada por vapor d'água está fadada a planar razante, sujeitando-se aos pungentes montes da dor. Purificai vosso aspecto opaco e tenebroso com a brancura das nuvens superiores que circulam acima dos horizontes marcados por conflitos e tempestades. Enfim, sereis livres quando compreenderem que toda água da qual se faz objeto de cobiça neste mundo grosseiro não vos pertence, pois cedo ou tarde sereis obrigadas a devolvê-la à Terra, a única detentora dos recursos hídricos.

Moral da História: O indivíduo é livre na proporção em que consegue se despojar do supérfluo e dos excessos, como a nuvem suave que, após liberar a chuva, aprendeu a ser leve e deslocar-se como nunca antes.

''O homem sábio rejeita o excesso, rejeita a prodigalidade, rejeita a grandeza''. (Lao-Tsé).

domingo, 5 de julho de 2015

O ermo porco-espinho.

Numa sociedade de porcos-espinhos destacava-se um cuja magreza não lhe rendia grandes vantagens: seus espinhos eram acentuados, e, combinados a um corpo delgado, ficavam ainda mais proeminentes. Feridas pelo corpo incomodavam familiares e amigos enquanto tentavam dormir em sua presença.

Ainda assim, protegiam-se mutuamente do frio unindo seus corpos. Certa ocasião, aquele esbelto porco-espinho decidiu dormir afastado dos companheiros, afim de que dormissem sem se ferirem com seus espinhos de proporção descomunal. Vendo-o isolado e passando frio, chamaram-no. Contudo, poupando-lhes, ele reagiu com amor e respeito pela dor alheia:

- Por ser magro, sou friorento. Mas não farei de minha comodidade um sofrimento injusto para quem me ama, afinal, ninguém tem culpa da minha anomalia. Portanto, serão poupados da agonia que suporto neste instante. Agradeço por se importarem comigo... sou grato!

''Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade''. (Dalai Lama).

''A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio''. (Martin Luther King).

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O encontro da mosca e do mosquito.

A mosca disse ao mosquito:

- Pousei no prato dos humanos, roubei-lhes a refeição! Envergonho-me por praticar este ato de desonestidade! Agradeço-te, mosquito, por não agir como eu!

- Minha querida mosca: ensina-me a viver sem roubar sangue de ninguém! Envergonho-me por praticar este ato de desonestidade! Agradeço-te por não agir como eu!

Moral da História: Feliz é quem abre os olhos às próprias sombras e ressalta no outro o que é luz.

''Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos'' (Confúcio).

sexta-feira, 8 de maio de 2015

As 20 qualidades do equilíbrio.

Que eu goze de todo entusiasmo, entretanto que eu me conserve afastado da euforia desvairada
Que eu seja rigoroso em minhas convicções, todavia que eu não seja intransigente com o semelhante
Que eu faça da coragem um grande lema, contudo que eu não a falsifique com prepotência alguma
Que eu ame sem medida, no entanto que eu não me faça vítima de paixões ilusórias
Que eu ofereça credibilidade a todos, agora, que eu não me deixe dominar pelos caprichos alheios
Que eu cultive a humildade, contanto que fielmente, sem desvirtuá-la numa indigna submissão ao outro
Que eu contente-me com o que já possuo em mãos, só que isso jamais deve fazer-me indolente
Que eu lute e alcance, porém aguardo e suporto, embora preparado para resignar-me com desapego
Que eu possa ser firme e estável, conquanto não presunçoso para me conceder o luxo da imutabilidade
Que eu esteja comprometido com o que sonho, ainda que preparado para traçar novos planos
Que eu continue vigilante às minhas imperfeições, a despeito de seguir indulgente às do próximo
Que eu reconheça a ocasião de sacrificar-me, apesar de igualmente reconhecer a de descontrair-me
Que eu nunca me torne compassivo para com meus erros, mesmo assim devo exercer o auto perdão
Que eu compreenda que a fé move montanhas, apesar disso, a natureza permanece sem dar saltos
Que eu creia na melhoria dos que me cercam, desde que eu não espere algo acima das forças da pessoa
Que eu saiba que não há tempo a se desperdiçar, em contrapartida sei que jamais haverá tempo perdido
Que eu dialogue, comunique e interaja com todos, mas que haja tempo para introspecção e meditação   
Que eu raciocine com profundidade e agudeza de espírito, mas sentir a beleza da vida é a razão de tudo
Que eu entenda o que se passa com o outro, por outro lado sobretudo, compreenda mesmo sem entender
Que eu dê asas à espontaneidade, ainda assim, que eu jamais esqueça do dever de ser cauteloso!

Eu sou o equilíbrio... minha virtude fundamental contempla 20 qualidades num só olhar: o dom de distinguir a pessoalidade da impessoalidade...

''Viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio'' (Albert Einstein).

''Ainda que a firmeza seja necessária para atingir o fim a que nós propomos em nossas boas obras é contudo, necessário empregar muita doçura nos meios''. (São Vicente de Paulo).

O Amor.

O amor é poderoso
capaz de lapidar as rochas
de erguer as águas do mar
e de trovoar em relâmpagos a cintilar.

O amor é acolhedor
brisa que banha todo o continente
a secar o suor de toda a gente.

O amor é semeador
dissemina os grãos pela terra
além de enriquecê-la, renovando a poeira
aliás...

O amor é renovador
rejuvenesce as folhas das árvores
provando que viver é renascer a cada dia.

O amor é enérgico
muito mais que fonte alternativa
ajuda as aves a voarem soltas... conduzidas!
nuvens densas a regarem flores esquecidas  
a soprarem bálsamos, jubilar demais vidas.  

O amor é ar, o amor é vento
não dá para enxergar
mas vive conosco... a todo momento!

''O amor é a força mais sutil do mundo" (Mahatma Gandhi).

''Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele''. (Platão).

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Escrever na Rocha.

Quando alguém fere a minha paciência
Quando alguém gera revolta e indignação
Anoto o meu ressentimento na areia da praia
Vem então o mar, repleto de paz e benevolência
Levando a mágoa no suave movimento da água.

E quando alguém traz consigo o bem
Registro no íntimo todo o amparo e gratidão
Na mais memorável rocha escrevo "amém"
Eternizando bem aqui, em meu coração.

E assim...
Vento algum poderá erodir
Esse laço amoroso e fraterno
Que une cada um
... de todos nós!

domingo, 5 de abril de 2015

Combatendo o Incombatível.

Um ex-tenente do exército, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa, incapacitante, incurável e letal, cuja esperança de vida costuma ser de apenas alguns anos, via-se inerte ao sofá enquanto lutava no campo de batalha da consciência. Com graves danos na fala e até na respiração, foi visitado por toda a família, amigos e colegas de farda. A dificuldade de expressão era tanta, que o oficial, impossibilitado inclusive de escrever, teve de soletrar, letra a letra, semelhante gratidão aos visitantes, os quais mal entendiam suas frases tortas e confusas, ditas por meio de inexpressivas sílabas com má nitidez. Diante, porém, daquela indizível sensação de ser visitado por tanta gente querida ao mesmo tempo, foi preciso, através de um de seus filhos disposto a anotar cada fragmento de palavra balbuceada, transcrever o seguinte discurso:

- Quando eu era um jovem militar, sempre lamentava ao não ser enviado ao campo de batalha, pois o repouso do acampamento não proporcionava-me promoção. Neste exato instante, vejo-me num campo de batalha existencial, e não desejo um repouso sem dignidade num abrigo ingrato onde minha alma se enfraqueceria e minha honra sucumbiria. Queridos, sejam como eu fui em minha juventude, a ficar satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficar firme diante do inimigo, se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. Na Terra, o homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de inquietação ou de contrariedade, esforçai-vos por superá-lo, e quando chegardes a dominar os ímpetos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei-vos com justa satisfação: "EU FUI O MAIS FORTE!"

(Inspirado na mensagem ditada por LACORDAIRE, em: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de ALLAN KARDEC).

''O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem''. (Um Espírito Amigo).

''O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais morre..." (1 Coríntios 13:7;8).

''A felicidade nasce da infelicidade; a infelicidade está escondida no seio da felicidade''. (Lao-Tsé).

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Monge e a Dor.

Estudiosos da natureza, filósofos e líderes da cristandade pretendiam provar os conhecimentos de um monge zen, pois dizia-se que não havia questionamento que ele não fosse capaz de responder com exatidão. Então os sábios, experimentando-o, indagaram:

- Caro monge, eis uma dúvida intrigante: a beleza e o aroma das flores são uma resposta natural à rejeição que as aves têm dos espinhos, ou são os espinhos uma resposta natural ante a vulnerabilidade das flores aos animais?

O monge confessou precisar de alguns instantes para responder àquela dúvida. Enfim, voltando o olhar ao público, disse com fervor no peito:

- Eu não vim ao mundo para avançar as ciências naturais, e reconheço minha pouca aptidão no assunto. Contudo, lhes ofereço uma preciosa reflexão: quando estamos acometidos por alguma enfermidade sentimos dor e fraqueza para nos resguardar da exposição aos microorganismos maléficos, ou nos sentimos fracos e indispostos em decorrência da moléstia incapacitante que tais seres provocam em nosso organismo? - Causa ou Efeito?

Os que o ouviam não puderam entender a comparação, pois, aparentemente, não havia conexão entre um pensamento e outro. Porém, aquele formidável monge, de cabeça erguida, profere um exímio ensinamento:

- Há mistérios que só o avanço da humanidade pode decifrar, porém eu lhes garanto que nunca haverá dano que não venha a ser sanado pelo tempo, e jamais existirá sofrimento sem um amanhã restaurador, pois todo pranto esconde uma paz em potencial a revelar-se durante o próximo amanhecer. Tudo de agradável ou desagradável que se manifesta no mundo é luz entre as infinitas dimensões, visto que cada um de nossos fios de cabelo é contabilizado com justiça e equidade. Tanto a ideia das flores e dos espinhos quanto a do padecimento e do repouso são indicadores de uma justiça reta a santificar males aparentes, levando-nos à compreensão de que um propósito benigno rege as relações entre a Terra e os Céus. Olhai as rosas deste campo divino: elas têm o mesmo vermelho do sangue provocado pelos árduos espinheiros...

''O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã''. (Sl 30:5).

''Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda''. (Provérbio Chinês).

sexta-feira, 13 de março de 2015

O lobo que queria ser cão.

Entre a natureza selvagem e o sonho da domesticação, um inusitado lobo morria de inveja e ciúme de um pequeno grupo de cães de estimação que acampava com seus donos próximo à escuridão da mata. Cobiçando o afeto dos humanos, lançou-se aos seus pés com a língua estendida, pronto para brincar e ser adotado como um cãozinho.

Homens e cães, por sua vez, fugiam de sua presença assustadora. Assim, carente de atenção, deixou-se dominar pela revolta, de modo a rejeitar a própria família e amigos: dizia ser dotado de uma natureza domesticável e superior à imundície dos seres selvagens daquela maldita floresta.

O tempo passava, e o lobo que queria ser cão sofria cada vez mais: não contava com a companhia de nenhum outro lobo, de nenhum cão, e de nenhum ser humano...

Recordava-se do tempo em que se identificava com a alcateia inteira, quando os homens e os cães ainda não haviam arruinado toda aquela inocente alegria de viver em seu habitat natural, sem apego ou inimizade. Desta vez menos furioso e mais lúcido, valendo-se do bom senso e da vontade de recuperar a vida simples, concluiu que embora não pudesse ser o melhor amigo do homem poderia tornar-se, em espírito, um cão dócil e fraterno, amando incondicionalmente os companheiros de alcateia.

Moral da História I: A hostilidade, a arrogância e a soberba escondem um histórico de vulnerabilidade e humilhação.

Moral da História II: Quando o ser humano deixar de ver no outro o lobo de sua infelicidade, e enfim identificá-lo em si mesmo, vencerá todos os conflitos existenciais.

Moral da História III: Ainda que certas pessoas te tratem como um lobo a se evitar, vale a pena assumir a postura de um cão que chegou para alegrar!

''É a própria mente de um homem, e não o seu inimigo ou adversário, que o seduz para caminhos maléficos'' (Buda).

''O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros'' (Confúcio).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Pescador Insaciável.

Pescando num lago cheio de peixes caros, um homem lançava as redes em delirante êxtase. Abruptamente, conseguia quilos e quilos, sobrecarregando o singelo barco. Ainda assim, teimava em pescar inadvertidamente, ao limite da capacidade do barquinho de madeira.

O dia parecia formidável até o instante em que percebeu o risco de naufrágio, embora seguisse eufórico com tanto peixe de alto valor. Quando se deu conta da gravidade do problema já havia bastante água por dentro, e a única solução seria descartar grande parte da mercadoria, o que lhe parecia inadmissível.

Portanto, quando já era tarde, seus bens foram caindo para fora, sem que pudesse mitigar o prejuízo, a não ser se desfazendo de seus pescados. Ganancioso, tentou conciliar a segurança com o lucro, enquanto a velha estrutura não parava de afundar, submergindo em seguida até as profundezas da culpa e do remorso...

Moral da História: desejar o que não se tem é meta de sucesso; desejar o que já se tem é descoberta e processo...

''Nada é bastante para quem considera pouco o que é suficiente''. (Confúcio).

''Aquele que sabe quando tem bastante, não cairá no ridículo. E aquele quando deve parar, não correrá perigos''. (Lao-Tsé).