sexta-feira, 31 de julho de 2015

As Nuvens Desafeiçoadas.

No reino das nuvens ocorria uma persistente contenda causada pela desigualdade de água entre as massas de ar que transitavam pelo céu. Atiravam-se umas nas outras com o fim de possuir a umidade alheia, o que resultava em constantes pancadas de chuva. Em nome da paz, o todo poderoso Sol, rei do Céu e da Terra, aproxima-se advertindo as nuvens desafeiçoadas:

- Queridas nuvens terrenas, para acessar as regiões mais elevadas da atmosfera é preciso despojar-se do excesso de umidade, liberando com desapego parte das gotículas que obsecadamente carregais em vossas almas demasiadamente densas. Toda nuvem tomada por vapor d'água está fadada a planar razante, sujeitando-se aos pungentes montes da dor. Purificai vosso aspecto opaco e tenebroso com a brancura das nuvens superiores que circulam acima dos horizontes marcados por conflitos e tempestades. Enfim, sereis livres quando compreenderem que toda água da qual se faz objeto de cobiça neste mundo grosseiro não vos pertence, pois cedo ou tarde sereis obrigadas a devolvê-la à Terra, a única detentora dos recursos hídricos.

Moral da História: O indivíduo é livre na proporção em que consegue se despojar do supérfluo e dos excessos, como a nuvem suave que, após liberar a chuva, aprendeu a ser leve e deslocar-se como nunca antes.

''O homem sábio rejeita o excesso, rejeita a prodigalidade, rejeita a grandeza''. (Lao-Tsé).

domingo, 5 de julho de 2015

O ermo porco-espinho.

Numa sociedade de porcos-espinhos destacava-se um cuja magreza não lhe rendia grandes vantagens: seus espinhos eram acentuados, e, combinados a um corpo delgado, ficavam ainda mais proeminentes. Feridas pelo corpo incomodavam familiares e amigos enquanto tentavam dormir em sua presença.

Ainda assim, protegiam-se mutuamente do frio unindo seus corpos. Certa ocasião, aquele esbelto porco-espinho decidiu dormir afastado dos companheiros, afim de que dormissem sem se ferirem com seus espinhos de proporção descomunal. Vendo-o isolado e passando frio, chamaram-no. Contudo, poupando-lhes, ele reagiu com amor e respeito pela dor alheia:

- Por ser magro, sou friorento. Mas não farei de minha comodidade um sofrimento injusto para quem me ama, afinal, ninguém tem culpa da minha anomalia. Portanto, serão poupados da agonia que suporto neste instante. Agradeço por se importarem comigo... sou grato!

''Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade''. (Dalai Lama).

''A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio''. (Martin Luther King).