terça-feira, 4 de agosto de 2015

A zebra e os cães selvagens.

Pela savana noturna, zebras seguiam atentas às ameaças. Ao avistarem uma cria de cães selvagens largada à própria sorte, fugiram assustadas no temor da possível presença de cães adultos, exceto um atípico membro da manada. Deslocado do grupo, como "bom samaritano", refletiu:

- O que fazer ante o frio que assola estes pobres cãezinhos? Talvez eu possa providenciar um bom agasalho...

E lá foi com sua compaixão em busca de peles de animais mortos, trocando alimentos por mão-de-obra de aves costureiras. Mais tarde, pronto o cobertor, a zebra saltou entusiasmada, e enfim pôde livrar os pequenos caninos.

Reflexão: O medo ainda sobrepuja largamente o amor na atormentada savana da Terra, porventura numa escala de até cem por um. Em noites de inverno moral, todavia, reluz a chama da caridade contagiante: Fogo que aquece e clareia sem sequer sentir o esplendor de si, cujo concurso exemplar parece irrisório ante o frio do egoísmo que assola a humanidade. Uma centelha de compaixão pode abrasar multidões sequiosas do ensino sagrado: "bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos." O iluminado carpinteiro da Galileia, do alto do monte, declarou em seguida: "brilhe também a vossa luz." Isso significa que qualquer de nós, desde que tenha olhos de ver e mãos de ajudar, é capaz de refletir o Cristo sobre as névoas da indiferença, e acender a candeia da consciência no velador dos aflitos, para que possam, em si mesmos, divisar a luz do mundo...

domingo, 2 de agosto de 2015

Os Esquilos e os Coelhos.

A coelhada comia ervas e cereais perto de esquilos que atacavam seus estoques sempre que podiam. Não eram todos igualmente desonestos, pois havia um que, vendo seus companheiros fartando-se do que não lhes pertenciam, interrogou-se:

- Seria justo participar deste ilegítimo banquete?

A gula, porém, o levou a ponderar: 

- Estamos bem longe dos coelhos para devolver-lhes toda essa comida... bem, desperdício é um insulto à natureza. Caso estivessem aqui nosso dever seria restituir cada alimento furtado. Comerei destes frutos só por ser improvável devolvê-los agora à noite, até porque não fui eu quem os subtraiu. Aqueles meus amigos que os saquearam são os reais culpados, enquanto eu apenas evito desperdícios.

- Não se preocupe, esquilo, estás no lugar certo! Você é muito bom! Por isso estou aqui para lhe devorar! - exclamou a coruja faminta.

Moral da História: Aquele que é deliberadamente beneficiado por uma transgressão, ainda sem participação ativa, também é transgressor.