Num dia bem quente, um pescador ensinava o filho a pescar, quando uma idosa fraquinha, pobrezinha e com muita fome pede peixe. Prontamente, ele dá vários, além de água gelada, dinheiro, o próprio boné, e braços amigos a conduzi-la à sombra. Garantiu comparecer toda semana no mesmo ponto, na mesma faixa de horário. Seu filho porém, intrigado, indagou:
- Pai, o senhor não me ensinou que devemos ensinar a pescar? Por que então hoje fez o contrário, dando tudo de mão beijada para ela?
O pai então, com toda a leveza e sabedoria, o adverte:
- Cuidado, meu filho, com essas "pseudo-sabedorias". Eu te ensinei a pescar num outro contexto, visto que sou seu pai e sei até onde vão suas forças. Escute bem o que vou lhe afirmar: O hipócrita utiliza-se de princípios verdadeiros para servir-se de seus valores egocêntricos. Muitos pescadores, das mais diversas águas que banham para além dos oceanos, ocupam ilustres cargos com a missão de promover a justiça pela igualdade. Discursando ensinar a pescar no lugar de dar o peixe, não fazem nem uma coisa nem a outra, isso quando não subtraem o peixe dos mais famintos. Meu querido, ao matarmos a fome do outro, que essa fome recaia sobre a gente, para que assim permaneçamos eternamente sedentos da felicidade e do consolo que só o amor ao próximo reverbera em nossos corações! Por outro lado, meu bem amado, são tantos os que auxiliam o semelhante de barriga cheia, para satisfazerem os próprios apetites reprimidos, carências, anseios, ressentimentos... , tudo o que retrai a alma e engendra a inércia e o descompromisso com a prática da caridade. Vamos sim ensinar a pescar! Agora, deixar de dar o peixe a quem não tem vara, anzol nem linha, filho, é história de pescador que estigmatiza de preguiçoso quem é pobre e trabalhador! Esse sim, é preguiçoso!