sexta-feira, 17 de setembro de 2021

De filho amado a pai transformado.

Uma criança extremamente afeita ao pai, batalhador e necessitado, foi comprar pão em data de páscoa. Chegando à fila do caixa, deparou-se com um chocolate, num dia em que mal podia comprar pão. Abatendo-se a tal ponto por jamais haver presenteado o pai, julgou não merecê-lo. Disparando adrenalina, o lado esquerdo do peito latejava esperança, enquanto no direito escoava medo de não poder fugir com aquele singelo presente, um simples chocolate. Esquecendo-se da educação e valores ensinados em casa, "meteu os pés pelas mãos", o chocolate no bolso e a alma na esquina... Ao despontar, a lua cheia revela sua beleza e claridade, como um pai exemplar ante o vazio e falta de luz de um filho que ainda não compreendeu que o mesmo que ergue o mar é aquele o qual está a lhe orientar:

- Meu filho, obrigado por tudo! Papai te ama tanto quanto você me ama! Suas demonstrações de amor são mais deliciosas que qualquer chocolate deste mundo! Contudo, guarde em sua consciência: assim como este chocolate que está me dando, todo presente é doce, por brotar de um coração limpo, honesto e íntegro, livre de toda culpa ou repreensão... Na verdade, meu filho, fiquei sabendo o que você fez!

Fitando assim o âmago de seu filho, não restou linguagem mais sonora que um emudecido sorriso convocando-o à reparação, sob um olhar comovente sem o que declarar além da palavra já presumida pela voz da intuição: "Quer me dar um presente ainda mais especial, meu filho? Devolva o que furtou!"

Ora, essa criança cresceu, teve dois filhos rebeldes e passou grandes dificuldades para criá-los. Ocorreu que, numa certa páscoa, um deles via-se sem chocolate algum, comera na véspera todos os que havia ganho. Guloso, foi abrir a mochila do irmão, que reagiu agressivamente, para a ira do pai contra ambos:

- Os dois estão expulsos de casa!

Então, abrindo a mochila do filho para tomar o chocolate dado pela mãe, encontrou um idêntico ao que furtara na infância. Imediatamente, um pai descontrolado e irracional viveu um inesquecível choque de realidade ao lembrar da sabedoria daquele que o educou no caminho do exemplo acima de qualquer sermão. Consternado, o novo pai chorou e pediu perdão aos filhos por cada mau exemplo e erro cometido por insegurança no diálogo. A partir daí, os dois abrandaram todo o comportamento: melhor convívio familiar, menos problemas fora de casa, desempenho escolar incrivelmente aperfeiçoado, e um estilo de vida pautado nos padrões do vovô, o qual tudo estabelecera pela firmeza, e conscientizara pelo amor!