sábado, 23 de julho de 2022

Folhas vêm, folhas vão...

Numa terra dourada onde tudo era luz, frescor e melodia, uma formiga operária alimentava-se dos frutos de uma árvore tão misteriosa quanto mágica. Durante a mais farta manhã de todo o outono, à sombra da intuição, a operária de vida nobre descobriria, por meio da árvore, o segredo da saciedade. Agradecida pelos frutos do dia, a companheira verdejante liberava folhas aos quatro ventos...

Em contraste com semelhante contentamento, a formiga lamentava-se por cada folha que se soltava dos galhos de sua maior amizade, como se uma parte dela morresse a cada instante. Inconformada, a minúscula coletora arrastejava-se decidida a devolvê-la uma folha, carregando um fardo mais pesado que si. Chegando porém ao ponto mais elevado do vegetal adorável, teve de ouvir uma notável lição sobre a passagem do tempo e das coisas fúteis tidas como importantes, enquanto a folha era devolvida ao vento:

- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão!

Tal princípio, de deixar a folha voar sem apego ou resistência, não foi aceito. Logo, com todo o esforço, o pobre inseto retornou à superfície, para depois se reapresentar ainda mais exausto às alturas daquela fonte de lucidez. Sondando-lhe o íntimo, a Árvore Mãe Natureza entregou ao vento a folha outra vez, reiterando:

- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão!

Irada, a formiga bradou:

- Vou descer pela última vez!

Assim o tendo feito, recolheu pela terceira vez a folha no solo e a transportou completamente esgotada, até enfim alcançar o cume da frustração:

- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão! Com tantos frutos maduros a ofertar-te, lamentarei eu pelas folhas caídas, às quais renunciei para que a vida ao redor de meus laboriosos ramos se extedesse pela relva sem fim? Jamais! Ouça-me, querida formiga: O vento nosso de cada dia faz da vida uma eterna dança... quando morre uma flor nasce uma semente, quando termina o rio começa o mar. Nada é estático na natureza, pois até mesmo as montanhas mais rígidas se deslocam sem que desconfiemos. Tudo se transforma sempre para melhor na Ecologia do Universo. Habitue-se a pensar desta forma, minha grande amiga! O vento que chega é para o bem, as folhas que partem também, é a Dança da Vida. Dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência, e sim com abnegação, zelo e paciência...

"Toda sensação de perda vem de uma falsa sensação de posse" - (Buda).

"A vida é uma dança: quando uma porta se fecha, outra se abre, quando um caminho termina, outro começa. Nada é estático no universo; tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor. Habitue-se a pensar desta forma. Tudo o que chega é bom, tudo o que parte também, é a dança da vida. Dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência... " - (André Luiz). 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

A Verdadeira Virtude.

De todas as riquezas do coração, uma só sincera
Revela nossa firmeza e autenticidade
A única virtude verdadeira é aquela
Que não requer reciprocidade.

Virtude gera virtude, porém não pede virtude
Ao invés de esperar do vizinho
Exala as suaves fragrâncias do respeito e da atitude
Não diz ao outro o que pensa, nem lhe aponta o caminho.

A vida aqui na Terra se torna muito mais bela
Quando sou instrumento ressonante em constante atividade
A única virtude verdadeira é aquela
Que não requer reciprocidade.

Virtuoso, é o sujeito livre de julgamentos
Enxerga no próximo o bem que busca em si
Não é movido pelas vãs emoções, mas pelos nobres sentimentos
Evita contendas mesquinhas, procura sempre sorrir.

Volto-me ao céu todas as noites a meditar sobre quem sou e quem eu era
Arrebentei os grilhões da violência e da passionalidade
Porque a única virtude verdadeira é aquela
Que não requer reciprocidade!

"Quanto não ganha em tranquilidade quem não se preocupa com o que o vizinho diz, faz ou pensa, mas apenas com os seus próprios atos." (Marco Aurélio).

Descascando o ovo cru...

Um professor lança um desafio a alunos da rede pública:

- Seria possível, para o mais ousado daqui, descascar este ovo totalmente cru? Um ponto para quem puder!

Sem hesitar, ergue-se do fundo da sala um jovem rico em atitude e inspiração. Pegando a caneca da mão esquerda do professor e o ovo de sua direita, simplesmente faz uma fenda no ovo batendo-o contra a caneca, e logo despeja a clara e a gema dentro dela, jogando a casca no lixo, para o assombro de todos...

Maravilhado, o professor exclama à turma:

- Viram como pode ser descomplicado e eficaz "raciocinar fora da caixinha''? Há jeito para tudo, e a solução pode ser mais simples que imaginamos. Jovens como o Rodrigo são os que costumam mover o mundo!

Mal fora parabenizado, Rodrigo se apressa em transferir o ovo cru da caneca do professor para um copo descartável. Contente com tal postura, o professor agradece:

- Obrigado pelo gesto de elegância, Rodrigo! Mas diga-nos sobre o que te levou a encarar semelhante desafio com tamanha coragem e confiança na própria inteligência.

- A necessidade de levar o ovo para minha casa e comê-lo. - respondeu Rodrigo.