Numa terra dourada onde tudo era luz, frescor e melodia, uma formiga operária alimentava-se dos frutos de uma árvore tão misteriosa quanto mágica. Durante a mais farta manhã de todo o outono, à sombra da intuição, a operária de vida nobre descobriria, por meio da árvore, o segredo da saciedade. Agradecida pelos frutos do dia, a companheira verdejante liberava folhas aos quatro ventos...
Em contraste com semelhante contentamento, a formiga lamentava-se por cada folha que se soltava dos galhos de sua maior amizade, como se uma parte dela morresse a cada instante. Inconformada, a minúscula coletora arrastejava-se decidida a devolvê-la uma folha, carregando um fardo mais pesado que si. Chegando porém ao ponto mais elevado do vegetal adorável, teve de ouvir uma notável lição sobre a passagem do tempo e das coisas fúteis tidas como importantes, enquanto a folha era devolvida ao vento:
- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão!
Tal princípio, de deixar a folha voar sem apego ou resistência, não foi aceito. Logo, com todo o esforço, o pobre inseto retornou à superfície, para depois se reapresentar ainda mais exausto às alturas daquela fonte de lucidez. Sondando-lhe o íntimo, a Árvore Mãe Natureza entregou ao vento a folha outra vez, reiterando:
- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão!
Irada, a formiga bradou:
- Vou descer pela última vez!
Assim o tendo feito, recolheu pela terceira vez a folha no solo e a transportou completamente esgotada, até enfim alcançar o cume da frustração:
- Folhas vêm, folhas vão... nada na natureza é em vão! Com tantos frutos maduros a ofertar-te, lamentarei eu pelas folhas caídas, às quais renunciei para que a vida ao redor de meus laboriosos ramos se extedesse pela relva sem fim? Jamais! Ouça-me, querida formiga: O vento nosso de cada dia faz da vida uma eterna dança... quando morre uma flor nasce uma semente, quando termina o rio começa o mar. Nada é estático na natureza, pois até mesmo as montanhas mais rígidas se deslocam sem que desconfiemos. Tudo se transforma sempre para melhor na Ecologia do Universo. Habitue-se a pensar desta forma, minha grande amiga! O vento que chega é para o bem, as folhas que partem também, é a Dança da Vida. Dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência, e sim com abnegação, zelo e paciência...
"Toda sensação de perda vem de uma falsa sensação de posse" - (Buda).
"A vida é uma dança: quando uma porta se fecha, outra se abre, quando um caminho termina, outro começa. Nada é estático no universo; tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor. Habitue-se a pensar desta forma. Tudo o que chega é bom, tudo o que parte também, é a dança da vida. Dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência... " - (André Luiz).