quinta-feira, 13 de julho de 2023

Amigo João!

- João, dê-me a tua mão!
- Claro que dou, irmão!
- Obrigado amigo, tens um grande coração!

- João, dê-me sem demora a tua mão!
- Acho que não tardarei desta vez, irmão!
- Sou teu amigo pois raramente disseste-me não!

- João, não negue-me a tua mão!
- Jamais neguei, irmão!
- Tranquilo amigo, valeu a intenção!

- João, cadê a tua mão?
- Está aqui, irmão!
- Fique aqui comigo de plantão!

- João, faz tempo que espero a tua mão!
- Farei o que puder, irmão!
- Depois me chamas de "meu caro, meu querido, meu amigão..."

- João, omissa é a tua mão!
- O que ainda não fiz, irmão?!
- Desculpe-me amigo, estou só desabafando: liberdade de expressão!

- João, maldita é a tua mão!
- Como assim, irmão?!
- Por que não repartiu o pão?!

- João, maldita, é a minha mão!
- Claro que não, irmão!
- Deixaste-me quando ignorei a gratidão!

- João, jamais negaste-me a tua mão!
- Então foi por qual razão que duvidaste de minha presença, irmão?
- Meu espírito não estava são!

- João, dê-me a virtude do perdão, embora eu não mereça a tua mão!
- Não chores nem perca a esperança, irmão!
- Desprezei toda a tua amizade e atenção!

- João, teu otimismo não ficou em vão, da lealdade nunca mais abrirei mão!
- Acalma-te e sorria, estarei sempre ao teu lado, irmão!
- Deste-me hoje uma inesquecível lição!

- João, hoje aprendi que toda união carrega uma ideologia, uma condição e um fardo em mão!
- Relaxe e fale-me um pouco deste teu pensamento, irmão!
- Nossa união pede despretensão, tolerância, paciência, ou reconciliação? já sei, ela busca a força mais sutilmente poderosa de todo o universo, de toda a criação... guerreira que jamais hesita em estender a mão, mesmo perante a injúria e a opressão: a majestosa ACEITAÇÃO!

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." (Confúcio).

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Oração dos 5 Sentidos.

Senhor, que eu converta o fogo devastador da condenação em luz brilhantíssima a acalentar!

(Visão) Que meus olhos cegamente bisbilhoteiros desviem-se da cobiça, da ambição, da inveja, do ciúme, da maledicência e dos dramas alheios para fitarem os sinais do Céu, contemplando vossas riquezas no altar da natureza e os tesouros que resplandecem no templo da santidade.

(Audição) Que meus ouvidos inclinados à boatos e falatórios ouçam o assovio das brisas, o canto matinal das aves, o som da água pura e cristalina, a comunicação harmoniosa entre as forças geográficas que cativam a solicitude de quem ama o planeta, e as saudações que a mãe natureza retribui aos seus defensores.

(Paladar) Que minha boca leviana que fala coisas ruins cale-se para preservar o espaço comum, sentindo o doce das palavras nutritivas, alimentando-se delas todo dia. Deliciosas canções degustarei, neste banquete universal que jamais acaba, pois aqui o pão que se paga não é com ouro nem com prata, mas com os valores imortais do coração que nem mesmo a fome mata. Vamos comer e cantar! Primeiro aquelas duas músicas que dão água na boca de todos nós: a do respeito e a do silêncio.

(Olfato) Que as emanações mal cheirosas e vibrações negativas deste lugar sejam suprimidas pelos anjos que perfumam os novos pensamentos, para aspirarem os mesmos bálsamos de paz que seguem o beija-flor quando deixa o jardim, encontrando em cada flor a essência do amor ao espalhar os eflúvios que vêm do Senhor. Posso sentir o aroma da alegria que contagia a cada dia que faço ao outro tudo o que gostaria que o outro me fizesse sem desgosto ou antipatia.

(Tato) Que minha pele, a qual não passa de intermediária para prazeres materiais, deixe de sentir as coisas vãs do mundo para tocar ombros que padecem, apertar mãos que fraquejam e palpar cabeças que cambaleiam, ignorando a si. Sei tocar um estranho sofredor apenas quando algum anjo do Senhor me toca, quando algo em meu interior se apraz em aliviar a dor desilusória de quem tanto me atrai e invoca, pois o bebê não sabe tocar antes de ser tocado por uma força meiga e motivadora. Quanto mais tocamos com fineza e alegria, mas o Maestro Divino nos rege a tocar com proeza e eufonia, sentindo o eco do inaudível, do intocável, do impossível, do inacreditável... Farei de tudo para que as ilusões do mundo não me impeçam de tentar tocar além do toque, amar além das exterioridades da companhia, e superar as barreiras da frieza, da desesperança e da revolta. Busco tocar de dentro para fora, dominando as forças que ainda me dominam. Não me importo se sou o último a ser tocado, desde que haja bondade e disposição para tocar quem quer que se apresente diante de meus braços. E com esta abertura e gratidão, toda forma de sensibilidade espiritual e psíquica será apurada de colheita em semeadura. A paciência e a perseverança elevam o espírito ao ponto das estrelas mais remotas servirem-lhe de meras estações, visto que é tocado por algo mais que o trânsito do vento e o raiar do Sol: Pelo chamado das esferas superiores! Toma para si o cosmo, vai além! Regozija-se alisando a maciez das nuvens enquanto toca as harpas do Paraíso Celestial, não para recrear-se, no entanto para que o Universo inteiro seja convidado para uma grande festividade que ocorre toda vez que o Sol nasce, se põe, ou quando a lua presta a sua homenagem ao céu: A ETERNIDADE!

Por fim, oh Pai, que a concórdia no mundo se dê em meu coração antes dela partir do outro, e que o outro seja a razão de meu existir, a escada triunfante entre a Terra e o Céu!

Amém!

sábado, 10 de junho de 2023

Aquele que vence a dor...

Vive de fatos e perspectivas, não de anseios e expectativas
Encontra em si as próprias razões
Não espera nada de ninguém
Considera pouco relevante o que pensam ao seu respeito
Encara o sucesso pela modéstia e a derrota pela resignação
Desiste jamais
Ouve conselhos e aceita críticas
Robusto qual pedra bruta, sensível qual pétala delicadíssima.

sexta-feira, 17 de março de 2023

O melhor amigo da calça.

Três amigos rivais concorriam ao status de "o melhor amigo da calça". Um era o bolso direito frontal, outro o seu vizinho da esquerda, enquanto o último situava-se na traseira da calça, de seu lado direito. O bolso frontal direito, habitualmente responsável pelo relaxamento da palma da mão quando em repouso, praguejava por não receber dinheiro, mas somente uma mão vazia. Já o bolso à esquerda da cintura, farto em dinheiro, dilacerava-se por não sentir o toque e calor que aconchegava o bolso direito.

Ambos, bolsos direito e esquerdo, injuriavam-se contra um dos bolsos detrás (o da direita), o qual, no mesmo grau, os detestava em contrapartida, pois considerava-se um bolso tratado com insignificante aproximação e intimidade, pois tudo lhe parecia sério e friamente formal. Somente em momentos importantes era requisitado: nada de afeto ou dinheiro, só responsabilidade e papéis pontuais inseridos num invólucro de couro. Mesmo assim, ser o bolso do porta documentos sempre fora o sonho de consumo dos dois bolsos laterais, porque sofriam muito por supostamente não serem amigos o suficiente para se confiar os segredos mais íntimos.

Contra todas as tendências porém, entra em cena a figura do bolso posterior esquerdo, exclamando:

- Bendita calça e seu portador, obrigado por eu fazer parte de suas vidas, principalmente nos momentos mais difíceis, como um prestativo lenço...

"Belo, é tudo quanto agrada desinteressadamente." (Immanuel Kant).

"O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele." (Sócrates).