Ambos, bolsos direito e esquerdo, injuriavam-se contra um dos bolsos detrás (o da direita), o qual, no mesmo grau, os detestava em contrapartida, pois considerava-se um bolso tratado com insignificante aproximação e intimidade, pois tudo lhe parecia sério e friamente formal. Somente em momentos importantes era requisitado: nada de afeto ou dinheiro, só responsabilidade e papéis pontuais inseridos num invólucro de couro. Mesmo assim, ser o bolso do porta documentos sempre fora o sonho de consumo dos dois bolsos laterais, porque sofriam muito por supostamente não serem amigos o suficiente para se confiar os segredos mais íntimos.
Contra todas as tendências porém, entra em cena a figura do bolso posterior esquerdo, exclamando:
- Bendita calça e seu portador, obrigado por eu fazer parte de suas vidas, principalmente nos momentos mais difíceis, como um prestativo lenço...
"Belo, é tudo quanto agrada desinteressadamente." (Immanuel Kant).
"O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele." (Sócrates).