Senhor, que eu converta o fogo devastador da condenação em luz brilhantíssima a acalentar!
(Visão) Que meus olhos cegamente bisbilhoteiros desviem-se da cobiça, da ambição, da inveja, do ciúme, da maledicência e dos dramas alheios para fitarem os sinais do Céu, contemplando vossas riquezas no altar da natureza e os tesouros que resplandecem no templo da santidade.
(Audição) Que meus ouvidos inclinados à boatos e falatórios ouçam o assovio das brisas, o canto matinal das aves, o som da água pura e cristalina, a comunicação harmoniosa entre as forças geográficas que cativam a solicitude de quem ama o planeta, e as saudações que a mãe natureza retribui aos seus defensores.
(Paladar) Que minha boca leviana que fala coisas ruins cale-se para preservar o espaço comum, sentindo o doce das palavras nutritivas, alimentando-se delas todo dia. Deliciosas canções degustarei, neste banquete universal que jamais acaba, pois aqui o pão que se paga não é com ouro nem com prata, mas com os valores imortais do coração que nem mesmo a fome mata. Vamos comer e cantar! Primeiro aquelas duas músicas que dão água na boca de todos nós: a do respeito e a do silêncio.
(Olfato) Que as emanações mal cheirosas e vibrações negativas deste lugar sejam suprimidas pelos anjos que perfumam os novos pensamentos, para aspirarem os mesmos bálsamos de paz que seguem o beija-flor quando deixa o jardim, encontrando em cada flor a essência do amor ao espalhar os eflúvios que vêm do Senhor. Posso sentir o aroma da alegria que contagia a cada dia que faço ao outro tudo o que gostaria que o outro me fizesse sem desgosto ou antipatia.
(Tato) Que minha pele, a qual não passa de intermediária para prazeres materiais, deixe de sentir as coisas vãs do mundo para tocar ombros que padecem, apertar mãos que fraquejam e palpar cabeças que cambaleiam, ignorando a si. Sei tocar um estranho sofredor apenas quando algum anjo do Senhor me toca, quando algo em meu interior se apraz em aliviar a dor desilusória de quem tanto me atrai e invoca, pois o bebê não sabe tocar antes de ser tocado por uma força meiga e motivadora. Quanto mais tocamos com fineza e alegria, mas o Maestro Divino nos rege a tocar com proeza e eufonia, sentindo o eco do inaudível, do intocável, do impossível, do inacreditável... Farei de tudo para que as ilusões do mundo não me impeçam de tentar tocar além do toque, amar além das exterioridades da companhia, e superar as barreiras da frieza, da desesperança e da revolta. Busco tocar de dentro para fora, dominando as forças que ainda me dominam. Não me importo se sou o último a ser tocado, desde que haja bondade e disposição para tocar quem quer que se apresente diante de meus braços. E com esta abertura e gratidão, toda forma de sensibilidade espiritual e psíquica será apurada de colheita em semeadura. A paciência e a perseverança elevam o espírito ao ponto das estrelas mais remotas servirem-lhe de meras estações, visto que é tocado por algo mais que o trânsito do vento e o raiar do Sol: Pelo chamado das esferas superiores! Toma para si o cosmo, vai além! Regozija-se alisando a maciez das nuvens enquanto toca as harpas do Paraíso Celestial, não para recrear-se, no entanto para que o Universo inteiro seja convidado para uma grande festividade que ocorre toda vez que o Sol nasce, se põe, ou quando a lua presta a sua homenagem ao céu: A ETERNIDADE!
Por fim, oh Pai, que a concórdia no mundo se dê em meu coração antes dela partir do outro, e que o outro seja a razão de meu existir, a escada triunfante entre a Terra e o Céu!
Amém!