domingo, 9 de fevereiro de 2025

Três buracos, três realidades...

Três homens viviam literalmente no fundo do poço. Ao descreverem as próprias experiências relataram cenários distintos, como se dentro de buracos fosse razoável experienciar uma variedade de visões e sensações.

Dos três, o primeiro sofredor era o menos desditoso, pois o abismo que experimentava não era precisamente um poço, mas uma vasta abertura com alguns metros de profundidade por vários de extensão, tal qual ingrata moradia subterrânea. Divisou quase a totalidade do céu, o topo de uma montanha, a parte mais elevada de prédios, copas de árvores altaneiras e paisagens próximas, já que aquele buraco era relativamente espaçoso e permitia certa locomoção.

Num inferno ainda pior, o segundo sofredor vislumbrou apenas aviões e urubus a voarem dentro de um estreito campo de visão no qual nuvens vagavam tediosas, tudo isso porque o buraco era mais fundo com quase dez metros de profundidade por uns três de diâmetro.

E por fim, o mais infeliz sofredor disse que ao fundo de um poço de dezenas de metros só ficava de pé, uma vez que a área sequer chegava a um metro quadrado. Mal podendo respirar olhou muito acima e notou algo extraordinariamente singelo ao ponto de passar despercebido pelos outros dois desgraçados cujos sentidos restringiam-se aos apelos e distrações da visão: O Brilho Do Sol, a única imagem apreciada em meio às trevas.

Chegou então à seguinte constatação:

"Às vezes é preciso chegar ao fundo do poço mais sombrio para identificar a claridade e reconhecer que sem O Brilho Do Sol é impossível visualizar qualquer realidade..."

"Daria tudo que sei pela metade do que ignoro" (René Descartes).

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Peregrino de Luz.

Caminhava o peregrino pela estrada do amor
Lágrimas caíam com um suor persistente
Uma fortaleza invisível suportava qualquer dor
Pois seguia cada pisada de um peregrino mais experiente.

Seus pés carregavam sangue e feridas abertas
Mas sua alma trazia o aroma da mais perfumosa oliveira
Sem murmurar amarguras ou palavras incertas
Compreendia que toda angústia é passageira.

Ocultava em si o anjo da vida eterna
Nas profundezas onde refulge a divindade do Ser
Oh, querido peregrino de natureza fraterna
És centelha do Criador a iluminar e aquecer!

"A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram." (Marco Aurélio).