Não vejo nem sinto o Sol
O frio obscuro é o único guia.
Do alto, uma luz difusa porém
Vai abrindo o caminho a seguir
Julgo que há alguma fonte luminosa
Mesmo infinitamente distante de seu brilho.
Subo a montanha, encaro o nevoeiro
Aos poucos, a paisagem é revelada
Mas ainda não existe nitidez absoluta.
Após longas horas de persistente sacrifício
Bem acima da densa camada brumosa
Respiro enfim um ar perfeitamente puro
Vejo o céu em todo o seu esplendor.
Assim ocorre com a percepção da realidade
Nas profundezas do infinito não pode haver vislumbre
Lá em baixo a visão é turva e disforme.
À medida que avanço monte acima
Passo a enxergar com progressiva transparência
Minhas lentes depuram-se, meus sentidos se completam
Por uma nova perspectiva o caos é dissipado.
São os olhos a lâmpada da consciência
Purificada, goza da plenitude de suas faculdades
Não as adquirire gratuitamente, mas as alcança por determinação.
Contudo, como descrever as resplandecências dos céus?
Somos cegos tentando decifrar as estrelas
Só o farol da experiência faz compreender o intangível
Afinal, poema algum desperta calor na pele...
O desconhecido para muitos é o fim: para mim é Deus.
ResponderExcluirExcelente texto Pedro
Continue escrevendo
Tá cada vez melhor